Tomar decisões: como deixar o processo mais leve?

Fazer escolhas é uma atividade que depende do exercício do pensamento crítico


Fonte: Blog Programa Semente


O processo de tomar decisões é uma parte indispensável do cotidiano humano. Na maioria dos casos, não há muita ansiedade em relação ao assunto, pois não é desgastante escolher quantas gotas de adoçante adicionar ao café ou qual blusa vestir. Porém, quando a decisão é capaz de impactar intensamente a vida da pessoa ou de terceiros, a pressão é maior.

Nessas circunstâncias, o caminho para chegar a um veredito pode ser marcado pela tensão e pelo medo, principalmente quando o indivíduo tem dificuldade de lidar com incertezas. Por isso, é fundamental aprender a conviver com um futuro indefinido e, então, identificar o melhor modo para tomar as melhores decisões possíveis.



Como tornar o processo de decidir mais leve e tranquilo?

Para tornar o trajeto até uma decisão mais leve e tranquilo, o primeiro passo é, justamente, aceitar que por, diversas vezes, o momento da escolha será de nervosismo e preocupação.

“Essa aceitação já contribui para reduzir o peso e a turbulência desses processos decisórios, mas há estratégias que podem amenizar o eventual desconforto da tomada de decisão”, explica Ronaldo Carrilho. Para o professor, que também é um dos autores dos materiais do Programa Semente, as duas principais táticas são: fortalecer o pensamento crítico e não deixar as emoções desagradáveis controlarem nossas decisões.

O fortalecimento do pensamento crítico

O pensamento crítico é uma habilidade híbrida, que mobiliza competências socioemocionais e cognitivas. Antes de tomar uma decisão, a pessoa deve avaliar o raciocínio que a leva a fazer aquilo, estando atenta para não se basear em julgamentos enviesados.

“Suponha que eu venho exercendo uma profissão que não me satisfaz. Então, eu penso na possibilidade de me tornar, por exemplo, um cantor sertanejo. E, veja, isso é uma aspiração absolutamente legítima, mas pode ser que essa decisão nasça da percepção que eu tenho de que os cantores sertanejos se dão bem na vida, são famosos, são ricos. E a gente sabe que isso não é necessariamente verdade”, explica Carrilho.

Esse exemplo constitui o chamado “viés da disponibilidade”, em que são acessadas informações facilmente disponíveis no cérebro. Estando ciente que esses dados nem sempre são verídicos, a pessoa será capaz de revê-los e, então, tomar decisões mais adequadas, fazendo uso de técnicas de reflexão e análise.

Outro cuidado deve ser em relação ao “viés do zero ou um”, ou seja, do tudo ou nada. É o que ocorre quando estudante acredita que, se não for médico, não deve seguir nenhuma outra profissão. “Quando a pessoa coloca essa forma de pensar ‘é medicina ou nada’, ela não dá chance de trazer à mente outras opções. Nesse mundo tão diversificado, será que não existe uma outra profissão que possa trazer bem-estar, felicidade e realização?”.

Não deixar emoções desagradáveis interferirem

“Um outro lado a ressaltar, quando a gente está diante de uma decisão que vai impactar a nossa vida, é não nos deixar arrastar pelos estados das emoções desagradáveis”, adverte Carrilho. “Quando a gente está com muita raiva, muito medo, muita tristeza, nossa capacidade de enxergar os cenários de forma mais ampla e clara fica bastante prejudicada”.

Por despertarem sensações intensas, não é recomendado que decisão alguma seja tomada enquanto o indivíduo se depara com esses estados emocionais. Isso porque a pessoa não vai conseguir operar com pensamento crítico e, caso uma escolha seja feita, a chance de arrependimento no futuro é maior.

Como tornar o pensamento crítico um hábito?

“A grande dica é começar a exercitar o pensamento crítico em pequenas ações, para que isso acabe se tornando um modo de ação habitual do cérebro. Assim, para decisões mais impactantes, você já tem esse processo mental interno bem sólido para servir de referência”, esclarece o educador.



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